julho 15, 2011

As Mulheres

“(…) compreendendo subitamente com uma nitidez aterradora que os homens nada controlam, nada dominam, que são todos eles crianças e até mesmo brinquedos, aí postos para prazer das mulheres, um prazer insaciável e mais soberano ainda pelo facto de os homens acreditarem controlar as coisas, acreditarem dominar as mulheres, quando a realidade é que as mulheres os absorvem, arruínam a dominação e dissolvem o controle deles, para deles tomarem afinal de contas muito mais do que eles querem dar. Os homens acreditam com toda a honestidade que as mulheres são vulneráveis, e que é preciso aproveitarem-se dessa vulnerabilidade ou protegerem-na, ao passo que as mulheres se riem, com tolerância e amor ou então com desprezo, da vulnerabilidade infantil e infinita dos homens, da sua fragilidade, dessa friabilidade tão próxima da perda permanente de controle, essa derrocada perpetuamente ameaçadora, essa vacuidade encarnada numa carne tão forte. É bem por isso, sem a mais pequena dúvida, que as mulheres tão raramente matam.”

                                                  [Jonathan Littell, As Benevolentes] Pin It Now!

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