agosto 02, 2015

Ontem


Estava eu na cama, a ler um livro enquanto convalescia, e uns certos gritos que vinham da rua já me irritavam e me levantei para ir ver o que se passava. Eram duas raparigas entre talvez os 15 e os 25 não consigo precisar e berrar uma com a outra e a desatar à chapada, murro e puxar de cabelos, enquanto duas crianças que deviam ter até 10 anos assistiam.

Havia pessoas a passar: umas passaram apenas e outras tentaram fazer algo, mas uma das miúdas quase que lhes saltava também em cima. Houve uma senhora que pegou nos mais pequenos e os levou dali a dar uma volta. As miúdas lá acalmaram, sentaram-se a fumar um cigarrinho e a falar e pensei que pronto tinha passado.

Um bocado depois decido ir espreitar e qual é o meu espanto a coisa piorou: está uma de cima da outra e apesar de não conseguir ver bem o que se passava não me pareceu nada de bem. E mais uma vez as pessoas ou ignoravam ou tentavam ajudar e eram intimidadas por uma das fulanas.

Decidi ligar à polícia. Levei entre 10 a 15 min a conseguir ser atendida pela PSP de Telheiras e não gostei do tom de desdém com que ouviram o meu reporte. Também não dei conta de eles terem intervido ou sequer ali passado. Também depois de ter comunicado já elas estavam de novo separadas a fumar e com um senhor ao pé delas.

Enfim. Não faço ideia do que estariam a discutir mas nada justifica um festival daqueles. Quanto às pessoas que nem uma palavra de incentivo ao bom senso tiveram, que pessoas são aquelas? Quanto as que tentaram dizer algo mas nada resultou, ao menos tentaram eu também não me ia lá meter. Acho que fiz o meu dever cívico ao ligar à polícia mas fiquei deveras desiludida pelo atendimento que me deram e por poder quase de certeza concluir que fui completamente ignorada. Pin It Now!

8 comentários:

  1. Credo... primeiro as miúdas deviam era ter cabeça. E a polícia devia mesmo agir doutra forma, enfim...

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  2. Jasus... este pessoal anda todo maluco. Não me admira que a PSP não quisesse saber, que trabalhar faz calo e muitos deles não estão para isso. Mas se for para ir beber uns copos ao tasco mais próximo, não há quem os pare. Essas meninas, não tiveram pais que as educassem?! Se calhar não tiveram, mas podiam sempre usar a cabeça para aprender umas coisas... Enfim, cada um tenta fazer a sua parte, mas às vezes parece que não vale mesmo a pena...
    *****

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    1. Há muitos assim como escreves-te mas há outros empenhados. E também é preciso ter em conta as condições em que ás vezes trabalham... Desde que tenho uma colega cujo marido é PSP que tenho conhecido outra realidade...

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  3. A polícia em portugal só existe porque fica bem e deve ser obrigatório, pois de resto... infelizmente nada fazem, mas muito também porque têm as mãos e os pés atados.

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    1. Concordo... Tenho uma colega de trabalho é Polícia, e na esquadra dele (embora pequena, cerca de 10 pessoas - vai até ser encerrada), só há 1 viatura e um colete à prova de balas - lol

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    2. É sobejamente conhecida as condições miseráveis com que alguma polícia trabalha. É o governo que temos! Não investe na segurança real, nem na saúde e na educação. Só tira! Enquanto estes três pilares não forem a prioridade, Portugal não evolui para melhor. Vai sobreviver enquanto existir gente decente, de uma geração que conheceu outras realidade, outras formas de agir, de pensar, de atuar. Quando essa desaparecer e só restar os que desconheceram outros meios, é altamente provável que tudo fique muito mais caótico. Por isso é tão necessário os VALORES. E saber transmití-los também.

      A polícia também não evoluiu toda. Alguns nem deveriam ter sido admitidos.

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  4. Very SAD.

    Noutro dia refleti nisso também. A situação que observei foi diferente. Pensei que um animal tinha sido atropelado e colocado no relvado, pois estavam umas 5 pessoas de volta dele. Depois percebi que não tinha existido acidente, era um cão que conhecia "de vista", já velhinho. As pessoas estranhavam e paravam. Algumas seguiam de imediato caminho, outras demoraram-se a tentar reanimar o animal. Acabei por não perceber o que aconteceu, o dono e o cão desapareceram. Queria acreditar que alguém decidiu aparecer num automóvel e ajudar. Mas não sei. Muitos passavam perto só o suficiente para olhar e seguiam caminho, outros paravam. Ouve quem fosse encher garrafas com água para ajudar. Suspeito que houve até quem parasse porque uma das pessoas que estava a ajudar era uma mulher jovem atraente com um vestido chamativo. Mas o dono do cão era um homem velho e estranho. Inofensivo, mas verborroso. Vi a polícia passar e achei que iam regressar para indagar o que acontecia. Mas não aconteceu.

    Fiquei a pensar muito nisto e concluí que vamos sendo ensinados a ficar distantes e passivos diante do sofrimento alheio. Tememos tentar ajudar e acabar por ser agredido. Então alguns nem ajudam. Mas ainda bem que há quem ajude. Nesse dia as minhas boas energias foram todas para aquelas pessoas que me mostraram que se preocupavam ao ponto de agir.

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